‘I think it would be better if I could weep’

“Simples, despretensioso, quase desavisado: aquele gesto que resultou no vídeo ‘I think it would be better if I could weep’, arquivado no banco de dados do Atlas Group.
O vídeo – uma série de imagens de sunsets editadas, sem som, uma após a outra – não seria nada além disso não fosse a força do gesto que as gerou. Como nos conta o texto explicativo do arquivo, o serviço de segurança do Líbano instalou, em 1992, na orla de Corniche (região oeste de Beirute), inúmeras câmeras de segurança para vigiar as autoridades políticas, espiões e agentes secretos que passassem por ali. Todos os dias ao cair da tarde, o operador de número 17 desviava a câmera de seu foco habitual e a apontava para o pôr-do-sol.
(nota: Em 1996, ele foi demitido. Seus superiores atenderam seu pedido para que apenas ficasse com as imagens dos muitos pôr-do-sol)
Esse desvio, aparentemente insignificante, faz com que a imagem – antes, pura informação destinada à vigilância e ao controle – se torne algo aquém ou além de sua função informacional. A imagem agora não informa, não comunica nada de objetivo, a não ser o gesto de virar a câmera e, ao desviá-la, captar algo que a informação não conseguiria conformar nem transmitir precisamente. Para além dos conflitos políticos e religiosos que marcam a história do Oriente Médio e, ao mesmo tempo, intensamente implicado e relacionado a eles, o gesto simples de virar a câmera possui uma potência política e estética que nos interessa sublinhar: gesto do descontrole. Fuga, desvio, recusa.”
trechos de “Virar a câmera, estremecer a imagem”, texto de André Brasil,professor da PUC Minas, onde coordena o Centro de Experimentação em Imagem e Som (Ceis)
Leia o texto completo(.pdf)
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