Quatro décadas depois, o suingue é o mesmo

Há quase 40 anos, Baby do Brasil, 56, então ainda Baby Consuelo, era a primeira mulher a subir em um trio elétrico para cantar. “Antes, os trios eram instrumentais. Fomos nós, em 1976 que colocamos voz”, afirmou Paulinho Boca-de-Cantor, 62, antes de começar o show que marcou o retorno dos Novos Baianos ao carnaval soteropolitano. No domingo (22), Baby, Pepeu Gomes, 56, e Paulinho se reuniram para uma apresentação no circuito Barra/Ondina durante a tarde. “Tenho certeza que nossa volta é definitiva. Quero ver todo mundo no suingue dos Novos Baianos”, convocou Paulinho, empolgado.
Baby surgiu com os cabelos lisos pintados de roxo e a irreverência de sempre. Antes de iniciar o show, pediu para o público nas ruas levantar os braços e pedir uma bênção. O show foi como nos velhos tempos. Se no início o público nas ruas parecia sonolento – foi o primeiro trio a circular no dia – depois de duas canções, as ruas já estavam cheias de pessoas aplaudindo e agradecendo a banda pelo retorno. Na guitarra, Pepeu reverenciava com a cabeça. “A voz continua a mesma, mas os cabelos estão bem brancos”, brincou Paulinho.



A folia teve toda a cara de festa em família. No lado esquerdo do trio, as filhas de Baby e Pepeu, Nãna Shara, 32, e Zabelê, 33, aproveitaram cada uma das músicas ao lado da avó materna Carmem Mena Barreto, 80. “Eu venho todos os anos desde o primeiro trio de minha filha. No início, pegava a máquina de costura de minha avó para fazer as roupas deles”, conta a mãe de Baby, com saudade dos anos 70. No meio de uma conversa, Dona Carmem escuta os acordes de “Besta é Tu” e levanta correndo da cadeira onde descansa. “Essa música eu preciso dançar. Eu gosto muito”, disse, enquanto acenava e sorria para as pessoas na rua.
Quando o grupo tocou a música “Brasil Pandeiro”, Nãna e Zabelê dividiram os microfones com a turma. “Eu cresci em cima de um trio elétrico. Mas já faz muito tempo que eles não se reuniam. Esse retorno é maravilhoso, uma coisa muito gostosa”, disse Nãna. Ela e a irmã usavam roupas com paetês e chapéus coloridos.


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Novos Baianos
Filhas de nomes importantes da música brasileira como Pepeu Gomes e Baby do Brasil, Nanã Shara, 32, e Zabelê, 33, engataram uma conversa animada com o músico Toni Garrido, 37, logo na entrada do camarote. “Sabia que os Novos Baianos voltaram ao Carnaval de Salvador?”, disse Nanã. Toni perguntou se havia sido um trio com futebol e peixe. “Se não tiver moqueca e pelada, não são os Novos Baianos originais”, brincou o cantor. Zabelê afirmou que o trio foi muito emocionante. “No fim do percurso desligaram o som, e mamãe cantou mais duas a capela, com Paulinho no pandeiro”, disse carinhosamente. Nanã ficou emocionada com a quantidade de fãs do grupo que são jovens. “São pessoas que aprenderam com os pais a gostar de nossos pais”. Trio elétrico para as duas, é como a sala de casa. “Já conhecia um trio quando mamãe ainda estava grávida. Há dez anos foi em cima de um que começamos nosso carreira”, afirmou Zabelê.
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Texto: Luciana Bugni
Fotos: Lunaé Parracho
(postado aqui na oficina em 17/06/09)
Em algum mês do já distante 1977, estávamos num velho coletivo nas ruas de São Paulo, a caminho de um show dos Novos Baianos, no teatro de uma escola paulistana. Encontramos (eu e minha turma) um cara de uns quarenta e poucos anos, que acabara de voltar ao Brasil, depois de uma década de exílio na Europa. Perguntou onde íamos e eu disse: ver os Novos Baianos. Ele decidiu ir junto, curioso em saber o que interessava tanto um bando de adolescentes no Brasil. No palco, só Baby não estava. Se bem me lembro, Pepeu disse que ela havia ido pro hospital pra ter bebê…! Foi um show memorável, em que a banda superou a ausência da voz e da figura de Baby à frente do grupo. Mas Paulinho, Moraes, Pepeu, Jorginho e todos os outros mostraram para aquele recém-chegado brasileiro o que estava rolando aqui em matéria de som. Do alto de uma cadeira, daquelas com braços de madeira, no antigo auditório, eu só ouvia ele gritar: -Isso é terapia em grupo! Isso é puro rock! Que saudade do samba! Pára, que eu quero descer…! e outras expressões disparadas entre espanto, histeria e frenesi. Nunca mais vi o cara, mas acho que naquela noite, ele teve uma boa recepção. Ele mergulhou, de novo, no Brasil, em toda sua dimensão humana, social, musical, baiana, enfim, da alma brasileira. Do mais puro “Brasil pandeiro”.
Fernando Parracho
20 Jun 09 at 10:30 am
Q legal
Alan Victor
11 Jul 09 at 6:03 pm